Foto: Vinicius Becker (Diário)
O consumo de peixe movimenta a economia de Santa Maria durante a Semana Santa
Na tradição cristã, a Sexta-feira Santa é marcada por reflexão e espiritualidade, mas também por um hábito que atravessa gerações: o consumo de peixe. Em Santa Maria, além das celebrações religiosas, muitas famílias mantêm o costume de se reunir à mesa para o almoço do feriado, onde o pescado ocupa lugar central. A prática está ligada à tradição católica de evitar o consumo de carne vermelha neste dia, em sinal de respeito e penitência, substituindo-a por alimentos considerados mais simples — como o peixe.
Esse hábito também movimenta a economia local. A procura pelo pescado aumenta significativamente no período, impulsionando iniciativas como a tradicional Feira do Peixe Vivo de Santa Maria, que reúne produtores da região e oferece espécies como tilápia, carpas, traíra, jundiá e piava. A feira se consolida como uma das principais alternativas para quem busca produto fresco e de procedência garantida, além de fomentar a agricultura familiar e o comércio local, com a expectativa de comercializar mais de 60 toneladas de peixe.
Conforme a comerciante Luana Bassotto, uma das expositoras na feira do peixe, as espécies mais procuradas são: a carpa-capim, jundiá, tilápa e trairá.
– A Carpa-Capim sai bastante porque é a mais conhecida de todas. Depois, a Tilápa e o Jundiá, por terem poucos espinhos e por isso o cliente prefere mais – explica

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Tempero
Para além da compra, o preparo do peixe também ganha destaque. A empresária do ramo gastronômico Flávia Milene da Luz orienta que o segredo está no básico bem feito.
– O interessante é que a feira te dá várias opções de espécie e tamanho. O mais importante é o tempero base: sal e bastante limão e um outro ponto importante é que o peixe é uma carne de preparo rápido, seja ele assado ou frito – destaca.
Segundo ela, temperos prontos à base de ervas e outros condimentos também podem ser aliados para realçar o sabor do pescado, respeitando as características de cada espécie.
Entre as opções de preparo, Flávia sugere que peixes assados — seja na brasa ou no forno — combinam bem com acompanhamentos simples, como batata, tomate, cenoura, verduras, além de uma farofa ao redor, que agrega textura e sabor ao prato e junto pode vir também um molho vinagrete.

Já para quem prefere peixe frito, a tilápia aparece como uma das escolhas mais práticas, pela facilidade no corte em filés. O preparo pode ser feito diretamente em óleo quente ou com empanamento em farinha de milho, garantindo crocância.
– Uma dica que eu dou para quem for fritar é um processo de empanamento que eu faço: eu seco a posta de peixe com um papel e depois passo ele na farinha de milho e largo no óleo bem quente pra ele ficar bem crocante – explica
Uma das pessoas que saiu satisfeita da feira foi a Rosa Maria de Barros, 46 anos. Todo ano ela recorre à feira para garantir o almoço da sexta-feira santa em família
– Eu gosto do peixe frito com farinha de milho, arroz branco, madioca frita, ovo e um vinho que não pode faltar. É tradição lá em casa já desde criança – relata

Opções mais elaboradas
Como complemento, molhos à base de creme de leite, limão ou nata são indicados para acompanhar os peixes fritos, criando um contraste de sabores. Para quem deseja inovar no cardápio, a empresária também sugere receitas mais elaboradas com frutos do mar, como escondidinho de batata com camarão ou salmão servido com molho de nata ou quatro queijos.
Entre tradição e sabor, a Sexta-feira Santa segue sendo um momento em que fé e gastronomia se encontram, mantendo viva uma prática cultural que vai além da religião e se reafirma como parte da identidade das famílias.
Serviço da Feira do Peixe Vivo
Quando
- 31 de março a 2 de abril: das 8h às 19h
- 3 de abril (Sexta-feira Santa): das 8h ao meio-dia
Pontos de comercialização
- Gare (Centro) – ponto central, com abate e limpeza
- Av. Paulo Lauda – Bairro Tancredo Neves (com abate)
- Rua Radialista Osvaldo Nobre com Estrada Capitão Amaro Vasco da Cunha – Bairro Juscelino Kubitschek (com abate)
- BR-392 – próximo à John Deere (com abate)
- Av. Walter Jobim – Bairro Patronato
- BR-158 – Fruteira Feltrin, distrito de São Valentim
Espécies e preços (por kg)
- Carpa cabeça grande: R$ 14,90
- Carpa prateada: R$ 18,90
- Carpa húngara: R$ 18,90
- Carpa capim: R$ 22,90
- Tilápia: R$ 22,90
- Peixes nativos (traíra, jundiá, pacu e piava): R$ 22,90
Outros serviços
- Limpeza de peixe na Gare: R$ 10 por unidade